Propaganda mesmo.

A fantástica (e gigantesca) campanha da Wrangler ganhadora do Grand Prix em Cannes. Sensacional fotografia. Dica de Gustavo Dundum via Twitter.

Vídeo ducaralho da nike, nele vemos um robô praticando Le Pakour. Show de CGI. Dica de Paulo Peres via Spark.

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Sugestão.

Enquanto os Air bus não param de cair (sim, caiu outro), esse blog humildemente sugere: deixem essas porcarias no chão. Sabe aquela história de “do chão não passa”, pois é, o problema é quando o chão está a milhares de metros de distância.

O que fazer então com tanta tranqueira no chão? Recicla ora bolas, tem um monte de gente precisando de moradia por aí. Tá vendo! É fácil resolver.

O jogo dos reis.

Em um dos episódios da série televisiva, Exterminador do Futuro, As Crônicas de Sarah Connor, a protagonista afirma: – tudo sobre ser um líder militar pode ser aprendido no xadrez. Com ele você aprende a ter paciência, aprende estratégia, antever movimentos inimigos e principalmente o valor e o poder do sacrifício.

Conhecido também como o jogo dos reis, o xadrez tem origem indiana, e remonta do século 6 a.c. Apesar disso, só tomou a forma como conhecemos hoje na europa durante a idade média.

Um entre os vários mitos sobre sua criação, é o relatado no livro “O Homem que Calculava”. O jogo foi criado como lazer para um Rajá em depressão, seu filho havia sido morto em batalha, o Rajá, de tão agradecido, ofereceu ao homem:

– Peça o que quiseres.

O sujeito pediu o pagamento em grãos de trigo, tudo calculado da seguinte maneira:

– Coloque 1 grão no primeiro quadrado do tabuleiro, e vá dobrando a quantidade. No segundo coloque 2, no terceiro 4 e assim por diante.

Inicialmente perplexo pela humildade do pedido, o Rajá ordenou que lhe fosse pago imediatemente. Depois de feitos os cálculos, informaram ao Rajá que seriam necessários mais de 2000 anos de colheitas para quitar a dívida.

Resumo da ópera, o cara perdoou a dívida do Rajá, e em troca se tornou seu principal conselheiro.

Por todo essa mítica, esse folclore, deve ser o jogo de tabuleiro mais popular no mundo, é o único, até onde eu saiba, reconhecido como esporte. Apesar de ser muito ruim, adoro jogar. Melhor ainda se for num desses.

Produto x embalagem. O que vende mais?

Adpeto do dito popular, eu julgo sim um livro pela capa. No caso de embalagens, pode até acontecer de um produto ruim vir em uma embalagem boa,  ou de um produto bom vir numa embalagem pobrinha, mal feita, mas pelo meu conhecimento empírico isso é exceção.

O que percebo, é que empresas responsáveis, que vendem bons produtos, investem em bons designs. Bom para eles conseguem se destacar no meio das gôndolas super lotadas das lojas, melhor para nós que levamos pra casa involucros tão caprichados que ao termino do produto sobra ainda uma bela peça.

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Ele veio para salvar o seu dia?

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Como já disse antes, não acredito no papel (auto) imposto a Barack Obama. Há um frenesi em torno de sua figura só vista anteriormente nos tempos de Jesus Cristo. Não estou aqui pra atacar ninguém, ele não é a besta-fera, mas também não é nenhum santo, vai (odeio ser óbvio) defender os interesse do império do mal, se precisar soltar umas bombas no percurso ou invadir algum país, ele COM CERTEZA irá fazer. Minha torcida é que no caminho, ao contrário de seu antecessor, ele faça algumas coisas boas.
Engrossando o coro dos descrentes está a JibJab, empresa de animação especilizada em e-cards, daqueles tipos que você pode colocar sua foto nela e participar da ação, desenvolveu a animação abaixo, nada como demonstar seu ponto de vista com humor. Belissímo trabalho.

Balada para uma Serpente. Capítulo 1.

A partir de hoje, todas as terças o Entrerios publicará capítulo, por capítulo,  o livro “Balada para uma Serpente” do carioca/recifense Paulo Costa, obra já publicado pela editora pernambucana Edições Bagaço. Trata-se de uma ficção policial noir ambientado em pleno movimento mangue beat. Sempre com sugestão de trilha sonora no começo de cada parte, o livro é cinematográfico, nos dando uma sensação vívida de cada cena descrita em suas páginas.

Arrume um lugar confortável pra ler, pegue seu mp3 player e mergulhe na prosa de fácil leitura de Paulo Costa, o P.C.

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CAPÍTULO 1 – Parte 1.
Blues – (Since I’ve been loving you, Led Zeppelin) .
O corpo flutua na vastidão azul, afundando em câmera lenta. A água salgada irrita a mucosa do nariz e em segundos encharca os pulmões… Sobressaltado, tenta levantar- se, mas, a cabeça feito peão o derruba, zonzo, na cama. Trôpego, vai até a cozinha sentindo ondas de suco gástrico ainda brigando com restos de cerveja na barriga. Senta no primeiro lugar que encontra. A língua, aquele corpo estranho dentro da boca, esturricada, amargando. Silva escorrega do banco e cai sentado no chão. Que coquetel infernal: ressaca e pesadelo! O olhar irritado tenta identificar que diabo de lugar é este. O suor escorre do pouco cabelo que conserva dos anos 70, faz uma parábola e toca a boca seca. A geladeira enorme, daquelas de porta dupla, o encara com ar solene. E frio. Torradeiras, fritadeiras, batedeiras, cafeteiras, verdadeiro desfile de “eiras” eletrônicas rodopiam sobre sua cabeça. A cabeça dói. E como dói. Quer acreditar que é a cozinha de um comercial que ele nunca criou, em toda sua carreira de publicitário. Mas é real.
Ele está ali. Mas onde?
Do alto da indiferente geladeira um sorriso esmurra o torpor, acendendo fagulhas no breu de sua memória. A foto da Galega! É ela que pisca em sua mente como splash de anúncio vagabundo. Sem tirar o olhar daquelas retinas dissimuladas, esforça-se terrivelmente e levanta. As costas reclamam o frio da cerâmica. Prefere estar morto: os mortos não sentem o frio da pedra. Só alívio. Na cabeça as cenas dançam em confusão. Ele levanta e desce o corpo sobre a Galega que tenta agarrar seus poucos cabelos. Tudo muito impreciso na memória. Ela enrola entre os dedos o rabo de cavalo que desce da quase careca, puxando com força o corpo dele para dentro do seu. Silva, ofegante, rumina que, porra, tudo que ele queria na noite anterior era ficar perambulando pelo Bar Royal, olhando o mulherio dos maracatus passando pela rua! Depois, ir até o Burburinho pegar a velha sessão de blues e terminar de encher a cara.
Dar de cara com a Galega em plena semana pré-carnavalesca…
Por esta ele não esperava.

Estar entre aquelas longas e grossas pernas que desfilaram na sua cara, esnobes, por tanto tempo inatacáveis. Afinal, era sua cliente; e mesmo que hipnotizado pelos dedos torneados, envoltos nas finas tiras das sandálias de salto alto e perfurante, cliente é cliente. O pior é que a Galega teimava, passando, indo e vindo, com aqueles tornozelos torturantes. Silva não arriscaria o cargo de diretor de criação, mesmo que fosse por causa tão nobre como aquelas maravilhosas e douradas pernas. Nem por aquele corpo talhado por tecidos tão impróprios quanto finos. Eu sabia, tinha certeza, que aquele olhar enviesado para o meu lado, nas reuniões de briefing, não era à toa, resmunga, sentado no chão frio da cozinha, enquanto olha para a foto da Galega sentindo mais ressaca que remorso.

Inacreditável, mas estava ali, entre as pernas da Galega. Beijava- as e passava a língua, ainda não ressecada, pela superfície dos pelos amarelados. Lembra- se de Van Gog entre girassóis. A dor de cabeça e o enjôo trazem Silva de volta ao casarão à beira-mar.

Outro banco distraído na cozinha o faz cambalear, obrigando Silva a um malabarismo para não cair com a cara na pia. Tropeça até o corredor que tem pequenas gravuras com motivos marinhos na parede. O barulho das ondas o carrega até à sala, ampla e fresca. Móveis rústicos e luminárias sinuosas. Que sala! Do tempo em que ainda se fazia casa para gente morar e não as caixas de fósforos de hoje. Pé-direito alto, arejada. A grande porta de vidro lhe impede de transpor a divisa com o terraço, que fica de frente para o mar de Candeias.
A rede no terraço joga de um lado para outro, preguiçosa recebendo o carinho do vento. A Galega montada sobre ele deitado na rede. Com seus dedos grossos, torce suavemente os bicos enrijecidos dos pequenos peitos, fazendo a pele dela arrepiar. Quantas vezes, mirando a precisão arquitetônica das coxas da Galega, lia e relia os briefings imprecisos que seu chefe, o Bob, redigia. Eram pequenos espasmos de prazer na rotina louca da agência. Frestas que deixavam passar o jogo de sombra e luz da sedução. Mas, eu achava aquilo tudo impossível, doidice da minha cabeça tarada… Silva encara o rosto no vidro da porta.
O mar joga o eterno ir e vir. O tempo se perde na memória embriagada.
Consegue abrir com dificuldade a porta de vidro. Inala o ar salgado e vital para seus pulmões boêmios. Ah, maldita ressaca, nunca mais outra dessa! Enquanto sorve a brisa, busca no horizonte entender como saiu do Burburinho para Olinda e foi parar em Candeias, do outro lado da cidade. Não tem a menor idéia. Uma bolacha, daquelas que ficam sob as tulipas de chope, brinca rodando perto da carranca sisuda que decora o terraço: Atlântic Blues Bar. O luminoso acende em sua mente. Silva fecha o punho com raiva e bate na cabeça. A dor da ressaca explode, junto com a lembrança da noite passada. Pneus gritam na rua de pedras imprecisas. A porta do carrão abre- se à sua frente, fechando o caminho… O coração de Silva quer pular garganta a fora.
Não é possível, você…
Silva sai da Rua da Moeda, onde o Mestre dos Maracatus ensaia a abertura do Carnaval com um mar de batuqueiros que enche a rua de uma ponta à outra. O som das alfaias ecoa por todo Recife Antigo. Meio cambaleante passa pela enézima vez pela Rua Tomazina, só para ver se cruza com alguém para tomar a saideira. A Bad Company destila rock and roll no Burburinho: Dylan, Beatles e stones dançam na noite, misturados ao som do maracatu. Os olhos imprecisos mal conseguem ver quem é quem em meio à fauna fantasiada de maluco- do-carnaval, uns totalmente de preto, outros com barbas coloridas, alguns carecas com uma única e fina trança escorrendo pelos ombros, jornalistas fantasiados de intelectuais, todos envolvidos pela fumaça canabiana. A moldura daquela tela alucinante é feita de paredes sujas, rachadas e pichadas. Na verdade aquilo não é rua e, sim, um beco sombrio onde se dá luz a projetos culturais, revoluções intergaláticas são urdidas e bandas das mais diversas cores sonoras são paridas, embrenhadas na madrugada.
Silva virou à esquerda em direção à Rio Branco, cumprimentou amigos em uma mesa enferrujada, torta no chão de pedras irregulares. Tomou um gole de cerva no copo de uma gata que estava na sua mira já há algum tempo e, como o último anjo da guarda ainda está acordado, não senta com a galera. Vai embora, olhando as mesas enfileiradas nas calçadas encardidas ou sobre as pedras ressacadas pelo tempo. Em cada porta velha, um boteco diferente com gente enchendo a cara de cerveja, whisky ou tomando cana acompanhada de sardinha em lata com farinha. Todos tentando se equilibrar em tamboretes velhos ou em cadeiras enferrujadas que, sem avisar, balançam junto com às mesas, de um lado para outro, na incerteza da rua de pedras escuras.
A decoração do Carnaval já está quase pronta, mas alguns funcionários da prefeitura, ainda penduram coloridos caboclos de lança aqui, passistas acolá. As cores da folia, o ventinho morno que vem do porto, o velho casario do Recife Antigo e o pulsar das alfaias conduzem o zonzo Silva. Tudo incerto naquele juízo de pensamentos que marcam hora, mas nunca se encontram.
Mas Silva sabia, tinha certeza que naquela noite resolveria a história com Guta, que se encontraria com ele em Olinda, no Atlantic Blues Bar.
Até que o carrão freia bruscamente, pára ao seu lado, a porta se abre…
A Galega o convida para entrar com um gesto rápido da cabeça e olhar devorador.
Canalha, galinha!! Sua ex-mulher tinha razão. Silva olha, meio tonto, para os coqueiros na dança eterna, embalados pelos ventos oceânicos… Como pode marcar com a Guta no Atlântic Blues Bar, tentando como Dom Quixote reatar o casamento e, no fim da noite, terminar enfiado entre os girassóis da Galega? Imperdoável. Quis socar a própria cara. Na verdade, no fundo da cabeça rodopiante, sabe que não passa de teatro barato, que a consciência pesada improvisa para apagar os erros que cometemos. Também não tem força para socar nada e a cabeça o tortura no fim de tarde domingueiro. Legal vai ser a próxima reunião de briefing com toda essa merda emoldurada por aquele decote, os tecidos finos marcando suas curvas, a boca carnuda explicando posicionamentos da concorrência e metas de vendas; e cafezinho, temperado com furtivos olhares de cumplicidade.
Amália, sua filha com Guta, aparece em seu devaneio, piorando o enjôo. A lembrança lhe corrói ainda mais o estômago e a consciência. Há quase seis meses tenta retomar a vida com a ex-mulher e a filha, mas tudo dá errado. Acertou de ficar com Amália em alguns finais de semana. E até vinha cumprindo direitinho. Cinema, praias, shopping e comidinhas em casa. Vez por outra umas rosas, livros e até mesmo vinhos de presente para Guta. Mas, não tinha jeito na vida, mesmo. Só arruma confusão, principalmente entre pernas deliciosas. E a cabeça rodando, rodando. Semana que vem a gente se acerta e tudo fica legal. Batem as alfaias na Rua da Moeda. Garçom, mais uma cerveja! Não olhe pra mim, gatinha, que sou casado…
A roupa molhada de suor. Silva entra por onde saiu de marcha à ré.
Cruza novamente a sala, outro corredor, um quarto, dois e no terceiro: a cena do crime. A enorme cama de jacarandá. Um Maracanã erótico, sem exagero nenhum. A Galega escorregando pelo seu peito, ágil como uma serpente, dá um bote entre suas pernas. O prazer sobe em ondas, o mar lá fora explode nas pedras. O calor cresce, molha os lençóis. A brisa faz dançar os coqueiros e os sonolentos pés de caju. A maresia, que passa assobiando pelas brechas das janelas, salga a pele arrepiada. As ondas vêm e vão, vêm e…
Guta chega tarde ao encontro. Já esperava ouvir Silva reclamar do atraso. Entra meio ofegante no Atlântico Blues Bar. Olha o grande praticamente vazio com apenas um cara bebendo no balcão. A respiração vai ficando mais calma enquanto ela caminha lentamente entre as mesas, olhando em volta. Nada do Silva. Guta se volta e anda com passos firmes até a porta do bar. Para, respira a brisa morna que vem da praia. Barcos flutuam calmos de um lado para outro. Bem, uma cerveja não faz mal a ninguém.
O silêncio se rompe com os primeiros acordes de Since I’Ve Been Lonving You, do Led. A guitarra de Jimmy Page rasga a noite. Será que o Silva aparece? Ou vai levar outro furo? Fica olhando, distraída, a dança das bolhinhas de cerveja dentro do copo, olhando de um lado para outro, sem a ansiedade dos namorados. É… acho que merecemos mais uma chance, mas só uma e já chega! Cadê esse cara… O celular toca, Pedrão pisca no visor. Clique, desligado. A primeira cerva desce rápido. Mais uma, geladíssima, por favor!
Do balcão um rapaz observa as pernas pequenas, mas, bem torneadas daquela morena de cabelos curtos e nariz arrebitado. Camiseta sem sutiã e um  slogan escrito em letras formadas por bandeiras de todos os países: Vive lês femmes. O jovem de cabelos encaracolados pega a garrafa de cerveja entre os dedos e caminha lentamente para de Guta. Ela percebe o movimento e vira de lado, procurando o garçom. Mantém- se de costas para o conquistador que se aproxima.
– Tá sozinha, gata?
– Nunca! Garçom, por favor, mais uma cerveja.
O cara sai de lado, bebendo a cerveja em um grande gole. Caminha lentamente observando a decoração do bar, como se nunca estivesse bebido naquele boteco.
Aposto que o Silva encheu a cara e esqueceu o encontro. Mas, ele me paga se furar comigo outra vez. Juro que o mato, faço-o em pedacinhos e jogo no mar. No mar, não, vai poluir a praia. Guta agradece ao Garçom Baixinho e promete a si mesma que só tomaria aquela, até porque não curte muito o lugar que conheceu junto com o Silva. Iria logo embora, tinha uma tese de mestrado para terminar e, definitivamente, não queria perder mais tempo com o exmarido.
Eu sabia que não devia topar esse encontro, eu sabia…
A consciência queima. Silva olha a cama desforrada sentindo as unhas da Galega arando suas costas.
À dor de cabeça soma-se a dos arranhões nas costas. O estômago dá voltas de novo. Abre o guarda- roupa, mas não encontra o que o seu corpo exige. Com a avidez dos viciados vasculha a intimidade das prateleiras. Não, ela não tem o precioso bálsamo. Silva se esforça para controlar a necessidade inexorável que arrebenta na barriga, como o mar que estoura, lá fora. A existência fica meio sem sentido, naqueles intervalos entre a tonteira e a ânsia de vômito, sem a aprazível sensação de alívio, provocada pelo néctar dos deuses que ele procura em vão. Aquela Galega deve ter algum antiácido guardado em algum lugar.
A ponta de uma calcinha lhe sorri da gaveta. Olha de lado, desconfiado.
Olha mais uma vez, mirando o naco de lingerie. Não resiste, abre a gaveta.
Aquele oceano de calcinhas inunda sua imaginação. Sente até um novo ânimo com dezenas de rendas, curvas, cores e o aroma da intimidade ali guardado.
Silva cheira profundamente uma daquelas preciosidades, buscando na memória o cheiro dos girassóis. Rendas, sedas, algodão, detalhes de intimidade que, até então, só faziam parte dos seus sonhos e tiravam sua atenção, quando lutava com a impaciência e o tédio, tentando criar mais um comercial de ofertas, dizendo sempre as mesmas coisas: Aproveite de montão… Essa promoção é imperdível…
Senta na cama. Calcinha entre os dedos. Guta reaparece em seu delírio.
Silva tenta esquecer o mar de calcinhas e a ressaca das lembranças. Cai na real e teme que, finalmente, a relação que se arrasta há quase vinte anos com a Guta tenha escorrido por entre aquelas douradas pernas, naquela madrugada.
Eu não devia ter virado aquela última dose no Burburinho, antes de ir à Olinda.
Não é você que vive dizendo que adora nossa casa, que precisa de uma relação estável, que curte acordar comigo e com Amália.
A respiração acelera, quer botar tudo para fora, enjoado, quer sair correndo, levanta e a cabeça roda de novo. Cai de novo na cama que cheira a sexo. Culpa sua? Não. Da Galega, talvez. E da Guta também. A transa com Pedrão, não conta? Que safado, aquele Negrão. Seu melhor amigo e, pelas costas, chifre. Cheio de ginga com o cabelo rastafari e conversa de afundar porta- aviões levou a melhor com a Guta. Um estrondo. O carro do vizinho foi atingido por um coco que não suportou o rebuliço da noite.
O vento bate a porta do guarda- roupa, estrondo no quarto. Silva pula, quase desmaia com a tontura sem fim. Ia fechar a porta e, enquanto passa a mão na testa suada, vê um rosto conhecido no alto da prateleira, entre pastas de papelão e a caixinha de prata cravejada de pedras, onde a Galega guarda anéis e brincos. A foto de Pedrão lhe sorri. Retratos lhe perseguem neste quase anoitecer de domingo. Silva esfrega os olhos. Acha que está viajando. Olha de novo e Negrão insiste, encarando- o com aquele sorriso sem-vergonha. A mão treme, mas não o suficiente para impedir que pegue a foto, enquanto uma calcinha lilás descansa desprezada no lençol branco.
Imagens voltam a pipocar na cabeça do Silva. A Galega, Since I’Ve Been Loving You, o mar, o chope, as alfaias do maracatu, Guta, Amália, as gravuras do corredor da cozinha, o coco no carro do vizinho, os girassóis de Van Gog e o Pedrão. Que diabos fazia aquele retrato do Negrão na casa da Galega? Eles nem se conheciam. Será que não? Silva mira o retrato:
– Até a Galega, brother?


Trash Art (ou pequenos brinquedos, grandes lembranças).

Queria ter o dom de fazer isso, transformar algo sem utilidade em uma obra de arte, um brinquedo, qualquer coisa que valha a pena. Infelizmente sou péssimo em trabalhos manuais, se eu conseguir não decepar um dedo, arrancar uma unha ou qualquer outro tipo de auto-flagelação não sai nada que preste.
Certa vez, meu tio (levado desse plano prematuramente) me fez um robô, era lindo e parecia com algum desses abaixo, gostaria de te-lo guardado até hoje, ficaria ótimo na minha mesa, mas como toda criança eu queria mesmo era brincar.

Pobre brinquedo, sucumbiu após sucessivas quedas, meu pai, talvez por entender a importância dele pra mim, ainda o consertou várias vezes, e haja superbond, araldite e durepox. Mas como diria um médico de E.R.: “- Fizemos todo o possível, mas ele não suportou. Sentimos muito”. Ainda sim sua missão foi cumprida. Me entreteu e divertiu. Tanto que até hoje ele tem um cantinho especial reservado na minha memória afetiva.

Brigado Tio. Saudades.

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Figuras que parecem ter sido extraídas do filme Robots ou até de uma obra steampunk.

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Cenas dos próximos capítulos.

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Esse ano cinematográfico promete muito nos quisitos ação e violência, depois de Watchmen e Exterminador, minha expectativa se vira pra o novo de Tarantino.

Bastardos Inglórios. Filme de guerra, ambientado na França ocupada pelos nazistas durante a segunda guerra mundial, parece ser o pacote completo, do nível de Pulp Fiction e Cães de Aluguel, tem bons atores, uma trilha Tarantinesca e muito, muito, sangue.

E ainda tem:

Homem de Fer Sherlock Holmes.

John Dillinger.

Megan F Transformers (pra ativar a legenda clique na seta ao lado da que maximiza a tela)

Matadores de Vampiras Lésbicas.

Filmes, pipocas e ação.

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Tem muita gente entortando a cara para o novo filme da franquia do Exterminador do Futuro. Tudo, na minha opnião, por conta do diretor com cara e nome de rapper, o famigerado MCG. Mais conhecido como produtor de séries, ele é também responsável por um monte de filmes pipoca, mas que nem por isso deixam de ser divertidos.

E daí? daí que fui ao cinema, da melhor maneira possível, sem nenhuma expectativa. Me deparei com um filmaço, efeitos tecnicamente perfeitos, cenas de ação fantásticas, e o que um fã da série sempre quis ver, a guerra entre humanos e máquinas. Ver os diferentes tipos de exterminadores, já pagou o ingresso, uma diversidade de robos só vista em Transformers. A fotografia é outro destaque, uma coisa meio monocromática, quase em tons de cinza, uma belezura muito bem empregada que aumenta a sensação de caos e desolação do planeta.

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Sério mesmo, tirando Watchmen, é o melhor filme de ação do ano.  Tá tudo lá, a origem da scarface de Connor, como ele

conheceu seu pai, tem até o T-800, com a cara de Shrek do Xuazineguer. Numa das críticas que li, foi dito que o filme em nada acrescentava a série, mas também em nada desabonava. Não concordo. É uma bela introdução para a parte mais interessante da saga: o confronto entre criador e criatura e a inevitabilidade (ou não) do destino. Vale o ingresso com certeza.