Bom velhinho, luzes e divagações.

Pinheiro

Foto retirada da Internet

Para saber se uma data está próxima existe o calendário. Mas, quando se trata do Natal a história muda. Não são as páginas dos calendários que nos avisam coisa alguma, mas sim as luzes e enfeites que tomam conta das casas e de toda a cidade.

Por estas bandas e, acredito, em outras bandas também, o Natal já dá sinais de vida. Os shoppings já estão devidamente ornamentados, as vitrines idem e as casas, aos pouquinhos, vão acrescentando pisca-piscas e Papais Noel a decoração. É assim que me dou conta, ano após ano, que o Natal chegou e que o ano, mais uma vez, passou em um piscar de olhos.

Os dias parecem longos, as semanas nem tanto e quando nos damos conta, os meses passaram despercebidos e o ano, que parecia tão novo em janeiro, acabou. Aí vem mais uma lista de “desejos e objetivos”, mais um ano, mais dias longos e o ciclo continua.

Particularmente falando, detesto listas de resoluções. Já gostei e fiz muitas, bem verdade. Mas no fim, a lista de um ano era tão parecida com a do ano seguinte que resolvi parar de anotar e fazer alguma coisa. Afinal, no fundo os desejos, sonhos e vontades estão na nossa caixola, e cá entre nós não vai ser um pedaço de papel que vai realizar tudo isso. Mas, vamos mudar de assunto, antes que esse post ganhe um tag indesejado, “auto-ajuda”.

Voltando ao Natal, as luzes e ao bom velhinho…

Geralmente, nas semanas que antecedem o Natal as agências de publicidade recebem mil e um pedidos. O briefing é igual para todos eles, pedem um anúncio para o Natal. O objetivo? Lógico, aumentar as vendas. Alguns são ingênuos e ainda acreditam que se colocarem algo como “antecipe as suas compras” no texto do anúncio as pessoas vão correr para as lojas para comprar ensandecidamente. Bobagem. Ninguém faz isso. Bom, pelo menos ninguém que dependa do 13° salário para comprar os presentes.

Pois bem, fiz 1002 anúncios essa semana. E, o tema acabou impregnando tudo ao meu redor. Tanto, que acabou virando um pequeno conto, que vocês podem ler logo abaixo. Por hoje é só.

 

 

Papai Noel

Ilustração - Miguel Carvalho


 

Um slogan que deu certo

Faltava apenas uma semana para o Natal. E as agências, como sempre, mantinham um ritmo completamente descontrolado para dar conta de todos os jobs. Em situações como esta, boa parte dos publicitários sobrevivem a base de café. E foi procurando uma xícara, na copa da agência, que um publicitário escutou uma tosse pra lá de esquisita. Curioso, ele foi olhar quem estava tossindo do lado de fora da copa e encontrou um velhinho gorducho e simpático.

O velhinho se apresentou como o Papai Noel e disse que estava muito preocupado, pois estava doente e tinha medo de assustar as crianças com sua tosse, no momento em que fosse entregar os presentes. Então, o publicitário escutou outra voz, mas não sabia de onde vinha. A voz dizia: “Segundo o médico o Papai Noel só ficará bom em duas semanas. Mas o Natal já é semana que vem. Precisamos de ajuda”. Assustado e com um medo gigante de estar delirando graças as muitas horas trabalhadas (sem direito a um cochilo), o publicitário procurou o dono da vozinha. Para o seu espanto, ele não estava delirando. A voz era de um pequeno duende, que estava perto das Renas.

O resto da equipe percebeu que estava acontecendo alguma coisa e foi conferir tudo de perto. Então, o publicitário apresentou o Papai Noel à todos e explicou o problema. Rapidamente, a equipe convidou o bom velhinho para entrar na agência e o atendimento tranquilizou o duende, dizendo que ia dar tudo certo.

Dentro da agência, eles começaram a anotar várias ideias… De início o atendimento discordava de quase tudo e a produção sempre lembrava que faltava pouco tempo, por isso a criação não podia criar ideias mirabolantes. Até que, enfim, juntos chegaram a uma solução: a tosse estranha do Papai Noel, também conhecida como “hohoho”, iria virar a marca registrada do Natal, um slogan. E assim aconteceu.

Depois daquele Natal o Papai Noel ficou bom da tosse, mas a ideia deu tão certo que faz sucesso até hoje. Feliz Natal.

Ingrid