O efeito Susan Boyle.

Depois do furacão Susan Boyle (já é um dos vídeos mais assistido na história perto dos 200 milhões de views), chega Jamie Pugh, motorista de van durante o dia e entregador de pizza durante a noite, o cara é tão impressionante quanto a virgem de 50 anos. Além de serem ingleses, eles tem em comum o fato de terem sido descobertos pelo mesmo programa e cantarem músicas do Musical “Os Miseráveis. Não tem muito o que falar, assista e pense, porque em nosso “Ídolos” não aparece nada assim? E aquele programa da Globo. Nem lembro o nome, só saiu Roberta Sá que mesmo sendo o melhor que apareceu na música brasileira em muito tempo não ganhou a edição que participou.

Só pode ter uma resposta: A maioria dos brasileiros gosta mesmo é de bosta.

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O direito de ser único e Susan Boyle.

Em um dos meus primeiros posts, escrevi como em minha opinião o mundo é escravo das aparências, como estranhamos quando alguém escapa um pouco aos padrões de beleza impostos. Eis que surge o fenômeno Susan Boyle, uma voz tão impressionante que parece sair direto da alma. Em sua homenagem posto o vídeo de sua apresentação e republico o texto. Bom Fim de semana.

O direito de ser único

Como posso dizer isso? Vou colocar de forma direta. Acho que estamos vivendo um processo de pasteurização do ser humano, cada vez mais perdemos a individualidade, aquilo que nos faz únicos, em prol de um ideal apolíneo. Cirurgias estéticas transformam mulheres bonitas em bonecas Barbies, peitos antes medidos em palmas, são hoje medidos como refrigerantes em mililitros. Homens se depilam, colocam próteses de queixo ficando a cara de um Comandos em Ação.

É tudo meio Metropolis (o filme de Fritz lang, obra prima do expressionismo alemão) vamos assim, virando autômatos, seres que de tão parecidos não tem expressão, não tem vontades nem desejos.

Mesmo diante de tudo isso não me rendo, sou teimoso, gosto de ir contra a maré, curto a imperfeição, elas fazem você real. Certa vez disse a uma pessoa que adorava seus defeitos, afinal isso a tornava única e plausível pra mim. Aquilo de “bom demais pra ser verdade” é realmente uma pérola de sabedoria. Todos deveriam entender isso. Sou imperfeito, logo existo.

Sou gordo, to quase careca, tatuado, e não, não é tribalzinha no braço, mas esse sou eu. De longe, e fialho diria bemmmm de longe, você me identifica. Sou feliz assim, há quem goste, há quem não goste, há até quem se pergunte como eu consigo namoradas tão bonitas. Talvez seja por isso, por ser diferente, talvez me destaque na multidão, talvez quebre a monotonia das formas.

Vou indo assim, em frente, o imperfeito amante das imperfeições, apreciando linhas tortas, formas redondas, quadradas e disformes. Viva o poder da desigualdade, viva o direito de ser único.